É verdade matemática
que ninguém pódi negá,
que essa história de gramática
só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a cumpricá.
Mió falá o brasilêro
que todos sabe falá.
Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é xu.
Desde logo já se vê,
dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um ligume
que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume,
mas nóis num come sapato.
Na Argentina, veja ocêis,
um saco é um paletó.
Se o gringo toma chuva
tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
‘Teu saco ficô piqueno,
vê se arranja ôtro maió’…
Na América corpo é bódi.
Veja que bódi foi dá.
Conheci uma americana
doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaido
e disse pra me escapá:
Ói, moça, eu não sou cabra,
chega seu bódi pra lá!
(…)
(Poesia Poligrota, autor desconhecido)
Durante a próxima semana (14 a 19 de maio), quem vier ao Espaço vai poder conferir divertidas apresentações teatrais. O cordel acima ganhou produção e interpretação especial de Simon de Oliveira e Ronny Stevens, os mediadores do núcleo de teatro do museu.
A brincadeira com palavras estrangeiras foi incrementada com cenário, musicalidade e a simpatia dos atores. A intervenção foi preparada para os visitantes que passarem pelo terceiro andar do museu. Quem estiver curioso para conhecer o restante do texto, pode assistir à encenação completa na quinta-feira, 16/05, às 19h30. Lembre-se que a entrada é gratuita!

O palco da cena foi escolhido a dedo. Não havia lugar melhor na exposição para montar o cenário do que entre as seções “Os nomes e os lugares”, “Diversidade Linguística” e “Faladeiras”.
Ainda na programação especial que o Espaço preparou para a 11ª Semana de Museus, outro cordel será apresentado ao longo da semana.
Acompanhe os horários:
14/05 – 16h30
15/05 – 16h30
16/05 – 19h30
17/05 – 16h30
18/05 – 16h30
19/05 – 16h30
As apresentações duram em torno de 10 minutos e o objetivo é oferecer uma nova experiência de visitação ao museu. Ronny explica que a proposta busca aproximar o conteúdo trabalhado pelo Espaço e a cultura popular. “Sentimos que esse tipo de ação estreita a relação do público com o museu, permitindo outros diálogos entre visitantes e mediadores”, esclarece.
Simon conta que a ideia surgiu depois da visita do artista Cascão ao Espaço, que inspirou o trabalho com esse tipo de literatura.“O cordel é ágil, dinâmico e popular, por isso tem potencial de tocar as pessoas.”
Para saber mais sobre as atividades para a 11ª Semana de Museus, acesse nosso site.























